sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PERFIL DO AUTOR - ENTREVISTA - Nelson Magrini


NELSON MAGRINI
SETEMBRO 2012 


Nelson Marini é engenheiro Mecânico, estudioso e pesquisador em Física, com ênfase em Mecânica Quântica e Cosmologia. Professor e consultor em Gestão Empresarial e Cadeia Logística, é autor de vários livros de Literatura Fantástica.


Fontes da Ficção – Nelson, primeiramente, agradeço por nos conceder esta entrevista e começo pedindo para que fala um pouco do início de sua carreira como escritor.
Nelson Magrini – Eu que agradeço a oportunidade, Hoffmann, de estar aqui, no novo Fontes da Ficção.
Minha carreira de escrito começou no ano 2000, porque eu procurava uma segunda atividade, uma vez que Consultoria de Negócios andava, na época, em baixa. Todavia, eu queria algo que nada tivesse a ver com minha atividade anterior e, principalmente, que eu gostasse e já soubesse fazer, ou seja, não queria investir em capacitação. Escrever veio de estalo, em uma madrugada. No dia seguinte, rabisquei alguns “pedaços de texto”, o maior com meia página, para ver se aquilo que eu escrevia parecia com trechos de um livro. Em seguida, criei alguns personagens centrais, que se tornaram conhecidos em Os Guardiões do Tempo, e parti para escrever meu primeiro romance, ainda inédito e que traz esses mesmos personagens. Aliás, sequer me passou pela cabeça em iniciar por contos. Desde o princípio, eu sabia que seria um escritor de livros, exatamente como aqueles que eu devorava desde há muito. Pessoalmente, nunca me senti atraído por contos, embora com o tempo, cheguei a escrever e publicar alguns.

Fontes da Ficção – Bem, vamos às perguntas de praxe: Quais são suas principais influências literárias?
Nelson Magrini – Desde cedo, mesmo antes de saber ler, comecei com HQs, as quais eu pedia para minha mãe ou avó lerem para mim. Eu viajava no mundo dos Super-Heróis. Também nessa época, tornei-me fascinado pelo Universo, o que me levaria, anos depois, à minha paixão por Física. Nesse sentido, a Ficção-Científica foi o passo seguinte natural, e o primeiro livro que li foi de Isaac Asimov, uma edição de bolso, da Coleção Argonauta, de Portugal, de The Naked Sun, lá nomeado de Ameaça do Robots. Asimov, juntamente com Arthur Clarke e um sem fim de outros autores passaram a fazer parte do meu dia a dia, a ponto de eu fechar um livro e abrir outro em seguida.
Alguns anos depois, me interessei pelo Terror, aliás, aqui no Brasil, até a uns 10 anos atrás, toda literatura que continha elementos de suspense e mistério, e que envolvesse algo de sobrenatural, era chamado de Terror. E como não poderia deixar de ser, minhas maiores influências no tema são Stephen King e Dean R. Koontz. Contudo, como já li tantas coisas, é bem possível que deixei passar alguém.

Fontes da Ficção - Do seu primeiro livro publicado (Anjo, A Face do Mal) até o mais recente (Ceifadores - Anjo A Face do Mal II), quais foram as principais mudanças que você pôde perceber no escritor Nelson Magrini e na Literatura Fantástica como um todo?
Nelson Magrini – Bom, em mim, foi principalmente em minha escrita, que amadureceu e melhorou muito. Português em nada difere de outras matérias, ou seja, quanto mais você exercitar, mais se aprimorará. Também tenho sentido vontade de experimentar outras possibilidades, como explorar o mistério, suspense e mesmo terror sem elementos sobrenaturais. Em Ceifadores – Anjo a face do mal II eu já exploro o mal humano, encarnado em um assassino serial. Gostei muito do resultado, misturando-o ao horror sobrenatural de anjos e demônios, e por tudo que já me escreveram, os leitores também gostaram. Nesse sentido, penso que minhas tramas também amadureceram e se tornaram mais adultas.
Em relação à Literatura Fantástica, houve um incremento significativo no Brasil, com o surgimento de muitos autores novos, alguns dos quais já até fizeram carreira nesses anos e são reconhecidos do público. Quanto ao mundo, nem é preciso comentar; a Literatura Fantástica é parte integrante do imaginário popular e conta com milhões de leitores no mundo inteiro.

Fontes da Ficção – Nelson, em Anjo, A Face do Mal, nota-se um texto voltado para uma reflexão, em Relâmpagos de Sangue, para o mistério e suspense, no conto Isabela, de Amor Vampiro, racionalidade – adorei sua explicação sobre o efeito da luz da lua -, e em Os Guardiões do Tempo, ficção científica teen. Você em algum estilo literário favorito? Qual?
Nelson Magrini – O meu favorito, e que considero o meu estilo, é mistério, suspense e terror. Em todos os livros citados, há elementos desse trio, inclusive em Os Guardiões do Tempo que, apesar de ser uma leitura mais light, com muita aventura e humor, está repleta de mistério e suspense, trazendo, inclusive, uma pitada de terror na medida certa para esse tipo de livro. É com tais elementos que gosto de trabalhar, que me sinto à vontade, e o que varia é a intensidade com que eles são enfocados nas tramas. Nesse sentido, Relâmpagos de Sangue é considerado, por meus leitores, como um livro extremamente assustador, a ponto de muitas pessoas me relatarem não terem conseguido dormir depois de lê-lo, o que, para mim, é uma satisfação.
Você citou que ANJO A Face do Mal traz um texto para reflexão, e isso é verdade. Contudo, todos os meus textos trazem passagens que levam o leitor a pensar, questionar alguma coisa. Esse é outro ponto que gosto de fazer, desde que, é claro, tais questionamentos e reflexões estejam dentro do contexto da trama, pois acima de qualquer coisa, meus livros são feitos para entreter e divertir, para que os leitores possam, por algum tempo, se desligar do dia a dia e viver algo diferente, exercitar a imaginação e, se possível, sentirem todo medo, angustia e paixões dos personagens. O resto é consequência.


Fontes da Ficção – O que você acha do cenário literário brasileiro no geral?
Nelson Magrini – Esta é uma discussão antiga, desde a péssima falta de hábito de leitura do brasileiro, até a valorização do autor nacional. Temos melhorado? Eu penso que sim, embora podemos melhorar muito mais. O espaço é amplo e o público precisa conhecer mais e diversificar autores, sair daqueles três ou quatro que escrevem romances bem sucedidos, aquela meia-dúzia, se tanto, de auto-ajuda e que não se cansam de reescrever o mesmo livro com títulos e capas diferenciadas, avidamente consumidos pelo mesmo público. Mas não é somente a questão dos leitores se abrirem; há a necessidade de um esforço em conjunto de editores, revendedores, distribuidores e uma gama de profissionais. Sem esse apoio pesado, a lentidão e letargia ainda predominarão por muito tempo, infelizmente.

Fontes da Ficção – Agora vamos nos concentrar na Literatura Fantástica Nacional. O que você acha dela? Tem futuro? E os novos autores desse gênero, o que me diz deles?
Nelson Magrini – Penso que é a vertente que mais tem se desenvolvido e, sem dúvida, possui potencial para um futuro brilhante, exatamente por abrir espaço para inúmeros novos autores, alguns muito bons, como já falei, e que já se firmaram no mercado. Como consequência, mais pessoas passaram a ler e procurar autores brasileiros, percebendo que não ficamos a dever nada em relação aos estrangeiros, e que uma boa trama é factível, mesmo se passando em São Paulo e com um  personagem chamado Lucas, por exemplo.
Contudo, nem tudo são flores e devemos ser realistas. O caminho ainda é longo e temos muito por batalhar. O preconceito contra o autor nacional é grande, é verdade, mas também é verdade que a grande maioria dos autores iniciantes, centrados principalmente em jovens, alguns mal saídos da adolescência, têm um Português sofrível, para falar o mínimo. O que tenho visto é muitas ideias boas e originais, mas embaladas em uma escrita não só repleta de erros ortográficos e gramaticais – isso é passível de correção, basta uma boa revisão – mas de uma linguagem pobre e repetitiva. E no fundo, isso não é surpresa, basta repassarmos a política, ou melhor, a inexistência de uma política para a educação neste país, que só vem piorando a cada ano. E isso não afeta apenas ao jovem autor. Os próprios revisores pecam demais por um domínio deficiente da língua. No fundo, é todo um contexto que afeta um mundo de profissionais e que implica que o romance nacional acabe por chegar deficitário ao mercado, e isso apenas gera mais preconceito e generalizações de que o autor nacional não presta.
Para se resolver o problema de leitura no país, antes de qualquer coisa, é necessário se resolver o problema da educação, prioridade esta que se impõe a qualquer partido político que venha a estar no poder. Sem isso, não teremos leitores, escritores ou qualquer outro profissional ligado às letras com um mínimo de competência.

Fontes da Ficção – Que outros autores da Literatura Fantástica, tanto nacional como estrangeira, você recomendaria?
Nelson Magrini – Dos nacionais, André Vianco, J. Modesto e James Andrade, entre outros, e é até um pecado não listar todo mundo. De estrangeiros, não tenho acompanhado novos autores, ultimamente, então valem os já clássicos, Stephen King, Dean Kootz e mais uma infinidade deles.

Fontes da Ficção – E com relação ao mercado editorial? Nesse “novo mundo moderno”, digitalizado e virtual, você acredita que o livro convencional estará morto num futuro próximo?
Nelson Magrini – Não diria morto, mas praticamente. Nós podemos sentir falta do livro de papel, mas a geração que está vindo aí não sentirá. Para ela, a tecnologia é que será o corriqueiro e acharão um absurdo carregar todo aquele volume e peso apenas para ler. Basta ver quantas pessoas hoje em dia usam seu micro no cotidiano para escrever e o que essas mesmas pessoas pensam de utilizar uma máquina de escrever para a mesma finalidade. Pense em escrever um livro, seu original em uma máquina dessas, sendo que você não pode apagar e reescrever, para corrigir erros, tem de utilizar o líquido corretivo, literalmente pintando trechos de branco e escrevendo por cima, e por aí vai. Você necessita ter papel, uma quantidade enorme por conta das páginas que irão para a lixeira, fita da máquina em bom estado, fita reserva para o caso dela enroscar, quebrar ou se desgastar. Caso queira ter uma cópia de segurança, duplique o papel, adicione um carbono e por aí vai. No fundo, a tecnologia sempre acaba se impondo, além de baratear e diluir os custos em um período relativamente curto.
Livros de papel talvez sempre venham a existir, da mesma maneira que os LPs de vinil voltaram a ser fabricados, mas a grande massa de consumidores aderiu ao CD e agora ao arquivo digital. Obviamente, seremos saudosistas, mas o futuro pertence àqueles que estão chegando.

Fontes da Ficção - Você vê a internet e seus novos recursos como uma escolha a mais para publicar?
Nelson Magrini – Em relação a publicar, por hora, vejo mais pertinente para o autor iniciante, aquele que ainda não possui uma editora. Já em relação à divulgação, seguramente é para todos, indistintamente. Aliás, a internet e seus recursos são como um cartão de visitas, o meio para cada um apresentar seus trabalhos e interagir com seu público leitor, algo imprescindível para qualquer escritor.

Fontes da Ficção - Porque o jovem leitor brasileiro deveria ler suas obras?
Nelson Magrini – Bom... pergunta curiosa para um autor, não? rsrs Mas falando sério, antes de me tornar um escritor, sempre fui e sou um leitor voraz, e sempre soube o que eu queria encontrar em um livro. E nunca foi surpresa perceber que era o mesmo que a maioria queria e ainda quer. E exatamente por ter essa vivência, posso garantir que meus livros entregam ao leitor exatamente aquilo que ele procura, aliado a uma boa trama, factível e verossímil, além de poder vivenciar cada angústia, sofrimento ou alegria dos personagens. Obviamente, ninguém nunca agradará a todos, mas ao ler os comentários de leitores, tenho certeza de que me encontro no caminho certo e de que bem poucas pessoas se manterão indiferentes em relação ao meu trabalho.

Fontes da Ficção – Quais são seus novos projetos?
Nelson Magrini – Recentemente, entreguei um novo original para avaliação ao Luiz Vasconcelos, meu editor na Novo Século para avaliação. Esse romance traz uma trama de suspense e mistério, onde uma autora de telenovelas de sucesso procura um psiquiatra quando se vê envolta em sonhos altamente realistas, verdadeiros pesadelos permeados de cães monstruosos e sedentos de sangue, juntamente com uma misteriosa figura que os comanda, e ainda assim, sente prazer e atração. E a situação somente piora quando o pesadelo se materializa e o mistério começa a fazer suas vítimas, levando a mais terrível das conclusões: existe algo escondido nos sonhos; e ele que o seu sangue!

Na sequência, devo iniciar em breve um novo projeto, onde a intenção é reunir dois de meus personagens mais carismáticos, Isabella, de meu conto em Amor Vampiro e Lúcifer, de ANJO A Face do Mal. Faro isso, mil coisas rabiscadas, idéias anotadas, livros parcialmente escritos e muita coisa por escrever. Se depender de mim, é apenas uma questão de tempo até tudo isso chegar aos leitores.

Fontes da Ficção - Vamos fazer um pequeno Bate-Volta.
Nelson Magrini – Vamos lá!

Fontes da Ficção - Tipo de Música Preferida:
Nelson Magrini – Classic Heavy Metal
Fontes da Ficção - Melhor Cantor(a) Estrangeiro(a):
Nelson Magrini – Sempre cito três, pois não dá para definir o melhor. Cantores: Ronnie James Dio, Rob Halford e Tim Ripper Owens. Cantoras: Floor Jansen, Ângela Gossow, Tarja Turunen
Fontes da Ficção - Melhor Cantor(a) Nacional:
Nelson Magrini – Não tenho preferidos
Fontes da Ficção - Melhor Filme Estrangeiro
Nelson Magrini – O Poderoso Chefão I e II
Fontes da Ficção - Melhor Filme Nacional:
Nelson Magrini – Tropa de Elite I
Fontes da Ficção - Duas Influencias Literárias Estrangeiras:
Nelson Magrini – Stephen King e Dean Kootz
Fontes da Ficção - Duas Influencias Literárias Nacionais:
Nelson Magrini – Não tenho
Fontes da Ficção - Comida que mais gosta:
Nelson Magrini – Pizza de muzzarela e frango grelhado
Fontes da Ficção - Carro dos sonhos:
Nelson Magrini – Ferrari e Lamborghini
Fontes da Ficção - Objetivo na vida:
Nelson Magrini – Atualmente, me concretizar como escritor em meio ao público abrangente e viver de literatura.

Fontes da Ficção - Obrigado pela entrevista e fique a vontade para suas palavras finais.
Nelson Magrini – Obrigado a você, Hoffmann, e ao renovado Fontes da Ficção, por esta oportunidade. E a todos os que quiserem conversar comigo, basta escrever em meu e-mail abaixo.
Abraço a todos!

Informações Úteis
Contato com o Autor: nelson_magrini@yahoo.com.br

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